Dizem que para viver, basta ter um lema
Dizem que para ter, basta viver um lema
Dizem que para viver, basta ser o seu lema
Dizem que basta, viver um lema
Dizem que seu lema basta.
Dizem também que basta!
O basta pode ser o lema
Dizem lemas sucessivamente
Disseram tantos lemas
Que a vida se apresentou como um dilema!
Psicólogo, Percussionista, Pisciano e adorador de cinema, teatro, música, fotografia e do mar. Gosto de brincar com as palavras.Uso este blog para dar vazão às muitas inquietações que tenho em relação a vida cotidiana seja em tom crítico ou poético. Serve, sobretudo,para expressar um lado mais lúdico e artístico com a palavras e estimular a reflexão.
terça-feira, 13 de outubro de 2015
Vínculos: espécie em extinção
Descobriram água em Marte, nosso DNA já pode ser mapeado e a espécie pode ser clonada. Estudos avançados indicam que a cura do Alzheimer e outras doenças neurodegenerativas está próxima. Temos todos (e mais um pouco) recursos naturais e tecnológicos disponíveis para viver bem: alimentação, habitação, trabalho e lazer. A medida da escassez ou da abundância vai variar conforme o que cada um considera supérfluo.
Ficamos abismados e esperançosos com as descobertas tecnológicas e as evoluções da ciência e da genética. Nesse deslumbramento tecno-digital-científico esquecemos de nós mesmos. Da nossa espiritualidade, do outro e do valor que o afeto pode ter, sobretudo nos dias de hoje de degradação social e de escassez de vínculos apesar da abundância de pessoas.
É provável que em 2035, ou talvez antes, o vínculo seja simbolizado no "Museu do Vínculo" para não cair no esquecimento da sociedade e garantir sua preservação. É bem provável também que o museu se torne patrimônio cultural da humanidade assegurando sua continuidade para futuras gerações dada sua relevância para a humanidade. No museu as pessoas se cumprimentam, trocam gentilezas, tomam café, leem revistas e jornais, conversam entre si, respeitam os que vão chegando e apresentam o museu de forma deliberada e democrática. Fazem jogos, brincadeiras e não têm vergonha de demonstrar seu lado lúdico. Ou seja, exercem, perpetuam e curtem a prática da vinculação com o outro.
Porém, ao saírem do museu, sempre se deparam com a mesma triste realidade, com vários cartazes estampados nos postes e muros da cidade:
"Procura-se!!! VÍNCULO... espécie em extinção. Recompensa: um abraço"
sexta-feira, 26 de junho de 2015
Divertida Mente
Não só quem tem filhos, sobrinhos e afilhados, mas também os que não têm devem assistir esse filme que consegue ser tão lúdico quanto lúcido. Uma viagem ao mundo cognitivo-psicológico que nem o mais competente neurocientista poderia mostrar em sua pesquisa acadêmica.
O filme narra a interação de 5 emoções básicas sob formas de criaturinhas estereotipadas que disputam o painel de controle das emoções de uma criança pré-adolescente: alegria, a tristeza, o medo, a raiva e o nojinho. Elas vão se revezando e alterando o humor na medida em que ocorrem as situações cotidianas. Os eventos mais marcantes criam as "memórias-base" que servem por sua vez para sustentar as "ilhas da personalidade": ilha da honestidade, ilha das bobagens/brincadeiras, ilha da família. A manutenção de cada ilha é abastecida pelas criaturinhas das emoções. Há também uma fábrica de sonhos e a terra da imaginação, mostrada com muito humor e criatividade.
Nessa disputa a alegria tenta sempre prevalecer com sua animação contagiante. Porém, se não houver equilíbrio das emoções e o armazenamento adequado entre elas, as ilhas podem sucumbir. Tudo isso mostrado de forma ludicamente didática e preservando o mundo da fantasia infantil. Apesar de mostrar a alegria quererendo contagiar todos e tentar manter certa hegemonia, o filme consegue, sem ser apelativo, mostrar com sensibilidade a importância da tristeza como emoção que também pode criar possibilidades agregadoras.
P.S.1 - Saí pensando em como a "adultização" da vida nos leva ao suicídio de nossa criança interior.
P.S. 2 - A criaturinha do medo é muito engraçada e o amigo-imaginário é um grande coadjuvante.
O filme narra a interação de 5 emoções básicas sob formas de criaturinhas estereotipadas que disputam o painel de controle das emoções de uma criança pré-adolescente: alegria, a tristeza, o medo, a raiva e o nojinho. Elas vão se revezando e alterando o humor na medida em que ocorrem as situações cotidianas. Os eventos mais marcantes criam as "memórias-base" que servem por sua vez para sustentar as "ilhas da personalidade": ilha da honestidade, ilha das bobagens/brincadeiras, ilha da família. A manutenção de cada ilha é abastecida pelas criaturinhas das emoções. Há também uma fábrica de sonhos e a terra da imaginação, mostrada com muito humor e criatividade.
Nessa disputa a alegria tenta sempre prevalecer com sua animação contagiante. Porém, se não houver equilíbrio das emoções e o armazenamento adequado entre elas, as ilhas podem sucumbir. Tudo isso mostrado de forma ludicamente didática e preservando o mundo da fantasia infantil. Apesar de mostrar a alegria quererendo contagiar todos e tentar manter certa hegemonia, o filme consegue, sem ser apelativo, mostrar com sensibilidade a importância da tristeza como emoção que também pode criar possibilidades agregadoras.
P.S.1 - Saí pensando em como a "adultização" da vida nos leva ao suicídio de nossa criança interior.
P.S. 2 - A criaturinha do medo é muito engraçada e o amigo-imaginário é um grande coadjuvante.
quarta-feira, 3 de junho de 2015
Alienado
Mente vazia é assim
Cada palavra dita é uma pedrada
pronta para ser lapidada
movimentos cíclicos de uma cabeça quadrada
que dificilmente será moldada
Cada palavra dita é uma pedrada
pronta para ser lapidada
movimentos cíclicos de uma cabeça quadrada
que dificilmente será moldada
quarta-feira, 27 de maio de 2015
quarta-feira, 20 de maio de 2015
Prateleiras e Compartimentos
Já tenho três semanas tentando escrever esse texto, estacionado no primeiro parágrafo. A inspiração, disciplina ou criatividade deviam estar guardadas ali, em alguma prateleira dessas que a gente deixa dentro de nós "coisas" que gostamos. Ficamos ali “paquerando” ela, mas ainda não estamos “dispostos” pra executá-la.
Pode ser um ato consciente de prorrogar, pois a ação requer uma dedicação de tempo que ainda não temos disponível. Pode ser também um hábito (e nesse caso é mais grave!) de procrastinar, deixar pra depois, jogar pra frente. Há pessoas que funcionam melhor na confusão que a pressão do tempo/prazo exerce.
Veja bem, aí você pode se enrolar todo lá na frente. Funcionar na tríade “protelar-acumular-executar” pode ser arriscado. Ainda assim considero essas pessoas portadoras do dom da procrastinação. Estamos falando de um talento. Trata-se de um equilibrista social que vai administrando as tarefas de seus diversos segmentos e que só consegue ativar o uso da prateleira e dos compartimentos quando se está de frente com esta condição de adiamento. O corpo não está pronto para agir. A mente não está pronta para pensar... ainda! Enquanto isso, algumas distrações e micro-entretenimentos vão decorando o que guardamos nas prateleiras.
Nós não guardamos a tarefa-atrasada em si nos compartimentos, mas sim vamos acumulando partículas de vontade/desejo que aquela tarefa vai demandar de nós. É a inspiração espiritual que fica na nossa prateleira subjetiva. O que guardamos nela é a curiosidade da vontade. A vontade tem grande curiosidade para agir e conhecer. Mas essa vontade só virá recheada de outros componentes (delicadeza, serenidade, agressividade, fluidez, intensidade, precisão, praticidade, improviso, imperfeição) se deixarmos a tarefa pra depois.
O fazer imediato impossibilita de florirmos a nossa prateleira. A vontade comete suicídio e nós cometemos um genocídio emocional. Prorrogar é saber preservar em compartimentos as sensações de cada ato prorrogado que, isoladamente, vai dando munição futura, vai se robustecendo das características necessárias que se precisa para, com maestria, concluir o que está para ser feito. Acho que temos variadas prateleiras e compartimentos internos, muito especiais, e que não nos damos conta do quanto eles podem nos fornecer motivação, curiosidade e consistência, desde que não estejam empoeiradas e trancafiadas. Mantemos nossas prateleiras e compartimentos limpos, destrancados e arejados.
Faxina interna já!
Pode ser um ato consciente de prorrogar, pois a ação requer uma dedicação de tempo que ainda não temos disponível. Pode ser também um hábito (e nesse caso é mais grave!) de procrastinar, deixar pra depois, jogar pra frente. Há pessoas que funcionam melhor na confusão que a pressão do tempo/prazo exerce.
Veja bem, aí você pode se enrolar todo lá na frente. Funcionar na tríade “protelar-acumular-executar” pode ser arriscado. Ainda assim considero essas pessoas portadoras do dom da procrastinação. Estamos falando de um talento. Trata-se de um equilibrista social que vai administrando as tarefas de seus diversos segmentos e que só consegue ativar o uso da prateleira e dos compartimentos quando se está de frente com esta condição de adiamento. O corpo não está pronto para agir. A mente não está pronta para pensar... ainda! Enquanto isso, algumas distrações e micro-entretenimentos vão decorando o que guardamos nas prateleiras.
Nós não guardamos a tarefa-atrasada em si nos compartimentos, mas sim vamos acumulando partículas de vontade/desejo que aquela tarefa vai demandar de nós. É a inspiração espiritual que fica na nossa prateleira subjetiva. O que guardamos nela é a curiosidade da vontade. A vontade tem grande curiosidade para agir e conhecer. Mas essa vontade só virá recheada de outros componentes (delicadeza, serenidade, agressividade, fluidez, intensidade, precisão, praticidade, improviso, imperfeição) se deixarmos a tarefa pra depois.
O fazer imediato impossibilita de florirmos a nossa prateleira. A vontade comete suicídio e nós cometemos um genocídio emocional. Prorrogar é saber preservar em compartimentos as sensações de cada ato prorrogado que, isoladamente, vai dando munição futura, vai se robustecendo das características necessárias que se precisa para, com maestria, concluir o que está para ser feito. Acho que temos variadas prateleiras e compartimentos internos, muito especiais, e que não nos damos conta do quanto eles podem nos fornecer motivação, curiosidade e consistência, desde que não estejam empoeiradas e trancafiadas. Mantemos nossas prateleiras e compartimentos limpos, destrancados e arejados.
Faxina interna já!
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