Instragram, é esse aplicativo bacana de fotos que mostra lugares de passeios a viagens, pessoas em festas ou celebrando a vida, comidas de boteco e restaurantes, animais de estimação e tudo que é tipo de gente e como andam suas vidas badaladas. Não há vida monótona nem melancólica no instagram. O grande barato do instagram é editar fotos. Modificando cores, luzes, tons, tirando (ou colocando) sombras e manchas. Editar nuances. Inserir filtros. Nas fotos! Mas até que ponto não reproduzimos isso nas nossas relações, isso de manipular nossa imagem?
A questão é quando o sujeito fica refém desse filtro virtual, e num gesto automático o transpõe para seu dia-a-dia. Vai mascarando a si mesmo como se fosse as fotos que publica. Configura e “edita” sua auto-imagem de acordo com a conveniência do meio social e insere um auto-filtro denunciando algo que não é. Denunciando apenas para si. Pois para os outros ele é a imagem que o filtro que ele escolheu quis projetar. Hoje é inevitável a influência do meio técnico-digital na subjetividade e nos comportamentos, bem como é inegável sua repercussão na formação da identidade.
Quem usa e gosta do aplicativo assim como eu, um alerta: cuidado pra não fazer sua vida social refém do enquadramento que a foto exige e acabar ficando “enquadrado”. Enquadramento que cobra instantaneamente um filtro pra embelezar superficialmente e excluir o que ela tem de bom: o original e o natural.
Você não precisa ser sua foto.
Deixe o filtro apenas pra fotografia. Na nossa vida, em nós e entre nós, filtro mesmo só o solar.
Psicólogo, Percussionista, Pisciano e adorador de cinema, teatro, música, fotografia e do mar. Gosto de brincar com as palavras.Uso este blog para dar vazão às muitas inquietações que tenho em relação a vida cotidiana seja em tom crítico ou poético. Serve, sobretudo,para expressar um lado mais lúdico e artístico com a palavras e estimular a reflexão.
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
Homo Acomodadus
Temos um hábito, estranho, de delegar tarefas cotidianas aos outros (geralmente, “alguém”) como se nós mesmos fôssemos incapazes de realizá-la. Talvez nossa cultura favoreça isso. O prefeito cuida da cidade, os pais cuidam da casa e da educação dos filhos, a polícia da segurança os professores do ensino. Internalizamos que os outros podem fazer as coisas sem que de fato precisemosbotar a mão na massa. Não nos ensinam a ter a responsabilidade da iniciativa.
Dispensa vazia, escassez na geladeira, fome apertando... “alguém precisa fazer o mercado”. Entorno do seu prédio ou de sua casa sujo e descuidado... “tem que falar com o sindico ou um responsável pra arranjar alguém que faça uma faxina nisso aqui”. Hora do bába, começa a chover... “alguém precisa pegar o rodo pra enxugar isso aqui”. Sujeito estúpido estaciona na vaga para idosos ou deficientes... “alguém precisa avisar a esse idiota que ele está errado, pra tirar o carro da vaga que não é dele”! Alguém precisa tomar uma providência. Alguém precisa ensinar esse médico o significado de pontualidade. Alguém precisa ver o que está acontecendo com tio Arnaldo, ele anda meio estranho. Alguém precisa se mexer. Alguém precisa esquematizar a viagem e comprar as passagens. Alguém, alguém, alguém. Estamos sempre esperando que alguém se apresente para a tarefa que pensamos não ser nossa. Quem é esse alguém?
O ranço que nos faz não apreciar a política na vida pública pela descrença, mesmo que já tenha tomado conta de nós, não deve nos impedir de sermos politizados na vida urbana e protagonistas na vida pessoal. A equação é mais ou menos essa: ranço político + descrença turva + imposições da ciência e da religião + sensação de impotência = acomodação. Mas generalizamos essa acomodação para diversos segmentos da vida, até os mais simples.
Delegamos porque renunciamos a política na nossa vida particular. Exterminando o nosso ser político subjetivo. Delegamos porque autoridade, autoritarismo, direitos/deveres, acomodação e servilismo se confundem e se confundem muito! Principalmente na Bahia. Delegamos porque temos alergia à política mesmo que teimosamente não queiramos reconhecer que ela faça parte de nós. Desconhecemos que quaisquer de nossas ações (ou omissões) são políticas por natureza. Por mais singela que seja a tarefa. Renunciamos uma tarefa porque não queremos sair da zona de conforto e por outro lado paga-se o preço de retardar nossa emancipação e nosso amadurecimento político-social. Alguém precisa dizer que política não é só aquilo que acontece em Brasília. Alguém precisa dizer que política é diferente de politicagem e de partidarismos. Alguém precisa acreditar em uma nova política de vida. Alguém precisa fazer valer essa política, inventando suas próprias iniciativas políticas.
Dispensa vazia, escassez na geladeira, fome apertando... “alguém precisa fazer o mercado”. Entorno do seu prédio ou de sua casa sujo e descuidado... “tem que falar com o sindico ou um responsável pra arranjar alguém que faça uma faxina nisso aqui”. Hora do bába, começa a chover... “alguém precisa pegar o rodo pra enxugar isso aqui”. Sujeito estúpido estaciona na vaga para idosos ou deficientes... “alguém precisa avisar a esse idiota que ele está errado, pra tirar o carro da vaga que não é dele”! Alguém precisa tomar uma providência. Alguém precisa ensinar esse médico o significado de pontualidade. Alguém precisa ver o que está acontecendo com tio Arnaldo, ele anda meio estranho. Alguém precisa se mexer. Alguém precisa esquematizar a viagem e comprar as passagens. Alguém, alguém, alguém. Estamos sempre esperando que alguém se apresente para a tarefa que pensamos não ser nossa. Quem é esse alguém?
O ranço que nos faz não apreciar a política na vida pública pela descrença, mesmo que já tenha tomado conta de nós, não deve nos impedir de sermos politizados na vida urbana e protagonistas na vida pessoal. A equação é mais ou menos essa: ranço político + descrença turva + imposições da ciência e da religião + sensação de impotência = acomodação. Mas generalizamos essa acomodação para diversos segmentos da vida, até os mais simples.
Delegamos porque renunciamos a política na nossa vida particular. Exterminando o nosso ser político subjetivo. Delegamos porque autoridade, autoritarismo, direitos/deveres, acomodação e servilismo se confundem e se confundem muito! Principalmente na Bahia. Delegamos porque temos alergia à política mesmo que teimosamente não queiramos reconhecer que ela faça parte de nós. Desconhecemos que quaisquer de nossas ações (ou omissões) são políticas por natureza. Por mais singela que seja a tarefa. Renunciamos uma tarefa porque não queremos sair da zona de conforto e por outro lado paga-se o preço de retardar nossa emancipação e nosso amadurecimento político-social. Alguém precisa dizer que política não é só aquilo que acontece em Brasília. Alguém precisa dizer que política é diferente de politicagem e de partidarismos. Alguém precisa acreditar em uma nova política de vida. Alguém precisa fazer valer essa política, inventando suas próprias iniciativas políticas.
domingo, 20 de outubro de 2013
Querer IV (da filosofia do afeto)
Perceber ser afetado pelo afeto
é um reconhecimento de fato
de que são os afetos que nos afetam
o discernimento não afeta
apenas pode fatiar o afeto
faturando os afetos fatiados dos afetados
Fatalidades afetadas
Afetos fatais
Fatídicos afetos fantasiosos
é um reconhecimento de fato
de que são os afetos que nos afetam
o discernimento não afeta
apenas pode fatiar o afeto
faturando os afetos fatiados dos afetados
Fatalidades afetadas
Afetos fatais
Fatídicos afetos fantasiosos
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Querer III (do discernimento)
Conheço a bifurcação do querer
até onde vai um querer autêntico
e onde já invade um querer orgulhoso
se sobrepondo
é perigoso
Por vezes
ser sequestrado por esse outro querer
que não aquele
um querer engolido pela disputa
pelo simples êxito
Querer triunfar apenas.
Aí vira jogo
esse querer eu não quero.
é preciso discernir o querer
é preciso querer discernir
Querer II (das coincidências)
-Oi, posso me sentar?
-Não sei, acho que prefiro ficar sozinha...
-Que coincidência, eu também! Então vamos querer solidão
juntos!
Querer I (das indecisões)
Queria que me quisesse
Mas não o controlamos
E, mesmo se pudesse...
Não querendo, não posso querer que queira
Quer sim, quer não, quer poeira
Talvez...
Timidez...
Querer que vai além da razão
Aquele que tudo quer
E aquele que nada quer
Por não saberem o que querer
Querem solidão
Mares de Ti
"Se
tropeçar meus pés cansados
Nos mares de ti
Cuidar de mim cuidar de ti
As fases e frases
Desfazem nos jeans
Por que é só você que sabe
Aonde surfir
O mais bonito do magnífico
Só teu sorriso esculpe
Nos mares de ti
Cuidar de mim cuidar de ti
As fases e frases
Desfazem nos jeans
Por que é só você que sabe
Aonde surfir
O mais bonito do magnífico
Só teu sorriso esculpe
Solidão
A vida nos fez
Apesar de ter
Solidão
A vida nos fez
Apesar de ter
A vida nos fez
Apesar de ter
Solidão
A vida nos fez
Apesar de ter
Solidão
Não
sei pisar no breque
Tomo charrete
Pros lares de rubis
Pensando nisso
Pensando em ti
Tomo charrete
Pros lares de rubis
Pensando nisso
Pensando em ti
Senti
felicidade sem fim
Se for passar precisos sarar
É quase inútil
Ficar de ir
Ficar de vir
Se for passar precisos sarar
É quase inútil
Ficar de ir
Ficar de vir
Ficar
feliz isso sim
Solidão
A vida nos fez
Apesar de ter
A vida nos fez
Apesar de ter
Solidão"
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