Em cada viagem para uma nova cidade
Inicia-se uma contínua busca pela nossa real identidade
No divino, na plenitude, na transcendência ou no infinito
Haveremos de nos achar, ainda que seja através do não-dito
A natureza sábia em sua singela preciosidade
Transmite com leveza e serena sinceridade:
"Busquemos a elevação e a espiritualidade
de preferência pela via da simplicidade"
É ela quem vai nos dar a sensação de unidade
Desde que, haja de nossa parte, receptividade.
Psicólogo, Percussionista, Pisciano e adorador de cinema, teatro, música, fotografia e do mar. Gosto de brincar com as palavras.Uso este blog para dar vazão às muitas inquietações que tenho em relação a vida cotidiana seja em tom crítico ou poético. Serve, sobretudo,para expressar um lado mais lúdico e artístico com a palavras e estimular a reflexão.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
Passeio no bosque
Se vier de poesia pode entrar...
sorrateiramente...
observe o jardim, o bosque
e o sussurrar do pomar
sorrateiramente...
observe o jardim, o bosque
e o sussurrar do pomar
Mensagens preliminares de 2015 (um ano não tão novo assim)
- Meia hora de espera na fila pra comprar um ingresso. Na hora da compra a atendente avisa: "o sistema está fora do ar". Se até o sistema sai do ar, a gente também pode (e deve!). Cabe a cada um escolher sua maneira.
- Local onde tomo açaí lotado.Três grupos em pé esperando vagar mesa, umas dez pessoas talvez. Apenas minha mesa vazia e com cadeiras disponíveis. Me lembrei de Moreré onde as pessoas, gentilmente, não hesitam em se aproximar e dividir mesas com lugares desocupados e pessoas desconhecidas. O sujeito urbano segue com (muita) dificuldade de interação e a sensação de estranhamento, ao esboçar uma aproximação singela junto ao outro desconhecido, permanece.
- Casal-fitness estaciona o carrão em vaga de cadeirante. Perguntei, já que eram atletas e aeróbicos, que problema haveria estacionar mais distante e andar um pouco mais pra academia. Resposta: "Você é da prefeitura?". Na cabecinha musculosa dele a regulação da vida social passa exclusivamente pelos órgãos públicos. Malha tanto (o corpo, não a mente) a ponto de não saber o que é cidadania
- Local onde tomo açaí lotado.Três grupos em pé esperando vagar mesa, umas dez pessoas talvez. Apenas minha mesa vazia e com cadeiras disponíveis. Me lembrei de Moreré onde as pessoas, gentilmente, não hesitam em se aproximar e dividir mesas com lugares desocupados e pessoas desconhecidas. O sujeito urbano segue com (muita) dificuldade de interação e a sensação de estranhamento, ao esboçar uma aproximação singela junto ao outro desconhecido, permanece.
- Casal-fitness estaciona o carrão em vaga de cadeirante. Perguntei, já que eram atletas e aeróbicos, que problema haveria estacionar mais distante e andar um pouco mais pra academia. Resposta: "Você é da prefeitura?". Na cabecinha musculosa dele a regulação da vida social passa exclusivamente pelos órgãos públicos. Malha tanto (o corpo, não a mente) a ponto de não saber o que é cidadania
DECID-IR
Escolhas são travessias
passeios, aventuras, paisagens
rodeios, travessuras, miragens
Abrir uma porta ou uma cancela
é autorizar a alma, que revela...
toda escolha traz uma decisão
querendo ou não...pois então
decidir é pensamento e ação
é escolher e ir
é decidir ir
decidimos ir
para curtir, viver, aprender e sorrir
decid-ir
Posto que toda decisão é uma ida
só nos resta assumir esta condição em vida
passeios, aventuras, paisagens
rodeios, travessuras, miragens
Abrir uma porta ou uma cancela
é autorizar a alma, que revela...
toda escolha traz uma decisão
querendo ou não...pois então
decidir é pensamento e ação
é escolher e ir
é decidir ir
decidimos ir
para curtir, viver, aprender e sorrir
decid-ir
Posto que toda decisão é uma ida
só nos resta assumir esta condição em vida
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Trilogia dos relacionamentos sustentáveis - episódio 1: a vitrine
A vitrine é aquele espaço em que
se colocam as peças mais interessantes (ou valiosas, mas nem sempre) de uma
loja para ganharem destaque, para serem apreciadas pelo consumidor, e consequentemente,
adquiridas. É fundamental, na exposição da vitrine, que sua distribuição
espacial esteja organizada, exclusivamente, para seduzir o iminente comprador.
Conscientemente ou não, ainda que
não queiramos nos vender para o outro, nas relações também somos vitrines de
nós mesmos pela forma que gerenciamos as características de nossa personalidade
que queremos que sejam vistas pelos outros. Na era da exposição exacerbada e da
aceitação condicionada à aparência e a popularidade, ninguém exibe o que
imagina que os outros vão reprovar. Ou seja, inicialmente ninguém se mostra por
completo. Tal como a vitrine da loja, está ali para seduzir. Tal como a
sedução, está ali para enfeitiçar.
Essa nossa vitrine exibe, mas também oculta. Ela
também indica peculiaridades através de sinais, basta saber interpretá-los e
desvendá-los. Caso contrário seu relacionamento com esse outro não passará de
um conto de fadas.
Então, primeiro passo para um
relacionamento sustentável: observe (pacientemente e cuidadosamente) a “vitrine”
do outro. Ela diz muito sobre a pessoa.
Trilogia dos relacionamentos sustentáveis - episódio 2: Leia a bula
A bula é aquele item que descreve
o que todo medicamento pode provocar no organismo. Você adquire o remédio e
fica ciente de todo um perfil adequado para a medicação (faixa etária,
indicação, contraindicação, reações adversas, etc.). A responsabilidade é toda
do sujeito, tendo em vista que ali está prescrito o percurso bioquímico que o
medicamento pode ter no corpo humano.
É realmente de se lamentar que seres
humanos não já venham com a sua própria bula. Facilitaria bastante. Por
exemplo, “Jorge Antônio, 28 anos”:
- Indicações: pessoas com
temperamento efusivo e histriônico; humor
estável. Workholic’s e os que apreciam restaurantes finos e baladas frenéticas
nos finais de semana, com leve inclinação para a prática da musculação em dias
intermitentes, tendem a ter maior compatibilidade. Tendências de maior
afinidade com pessoas que gostem de exposição exacerbada.
- Contra-indicações: pessoas com
hipersensibilidade, geniosas/orgulhosas, comportamento introvertido ou que
manifeste embotamento afetivo. Pessoas que pratiquem esportes de aventura,
ecoturismo, pilates, RPG e turismo cultural também são contra-indicadas nesse
caso.
-Reações adversas: incidência
entre 5% e 20% - cobranças afetivas e sociais, surgimento da ideologia siamesa “nós
dois somos um só”, ciúme generalizado/arbitrário e falta de demonstração de
afeto em locais públicos com o passar do tempo.
Ok, não somos cápsulas medicamentosas. Embora para
algumas pessoas os relacionamentos tenham esse efeito: curar, amenizar o
sofrimento, espantar a solidão, mera conveniência.
Esse é a típica categoria de “relacionamento-placebo”:
não traz nada de muito efetivo, significante ou agregador, mas só o fato de
estar ali numa relação estabelecida e socialmente oficializada (mero status?
pura fachada?) já traz um pseudo conforto/segurança para a pessoa.
Seres humanos não tem bula. As rotulações
criariam impossibilidades para os encontros, eliminariam candidatos
aparentemente pouco sustentáveis, antecipariam diferenças, divergências,
conflitos e desentendimentos que, logo de cara, afastariam as pessoas. Cada
encontro, que é único, pode suscitar no outro condições psíquicas de
sustentabilidade e habilidades sociais de outra natureza que não aquelas que
estariam descritas burocraticamente na bula.
A voracidade do tempo das coisas demanda um
imediatismo que se tenta se impor também para o tempo das pessoas, tendendo a
criar a lógica pragmática de “pessoas-bula” o mecanismo ideal para a atualidade descartável:
“tenho acesso, leio, vejo se me favorece, o que poderá me causar e opto”. Porém,
não temos bula, mas temos alma. E esta, enigmática e densa, requer um pouco
mais de devoção para ser lida e descoberta, para além de uma simples bula,
quando se está disposto a relacionar-se dignamente com alguém.
A sustentabilidade da relação
está em trocar (na semântica é fácil, apenas uma letrinha) o lugar que se deseja
que o outro ocupe na relação: da medicação para a meditação. O outro não pode ser um “remédio”
que preencha nossos vazios e nos traz uma (falsa) sensação de cura, mas sim
aquele que nos leva (e eleva!) a uma condição favorável de autoconhecimento.
Então, segundo passo para um
relacionamento sustentável: conheça e construa (paciente e cuidadosamente) a
“bula” do outro.
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