Psicólogo, Percussionista, Pisciano e adorador de cinema, teatro, música, fotografia e do mar. Gosto de brincar com as palavras.Uso este blog para dar vazão às muitas inquietações que tenho em relação a vida cotidiana seja em tom crítico ou poético. Serve, sobretudo,para expressar um lado mais lúdico e artístico com a palavras e estimular a reflexão.
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
Na multidão, a solidão
A minha lente é uma fresta
um olhar cansado que se renova
e todos os dias, rotineiramente, me prova
essa vida é mesmo uma grande festa
Bailes, serenatas, serestas
promovendo contemplação, integração e prosa
disfarçar seria como entrar numa cova
ignorando esse colorido mundo cinza-cor-de-rosa
colo uma etiqueta na testa
e denuncio nesta:
o eu-em-si-mesmo é o que me resta
sábado, 25 de outubro de 2014
De quantos partos você precisa para nascer?
O parto biológico é aquele que denuncia nossa chegada ao mundo. Cada vez mais um evento espetaculoso, cheio de holofotes e flashes para a mini-celebridade. Afinal, foi um parto. No dia simbólico, define-se signos, ascendentes, data de aniversário, que será comemorado até o fim da vida, e também demarca a idade cronológica. É o dia do parto, logo, um ritual.
O processo de humanização, evolução e amadurecimento do sujeito em nada tem a ver com sua idade desde o seu parto. Muito menos tem um dia exaltado para ser comemorado ou um ritual para designar sua passagem, embora mais importante. Para atingir essas condições plenas, o sujeito precisa fazer o parto de si mesmo.
Se fôssemos mais sensíveis e vulneráveis à visitação do outro em nós poderíamos transformar as dificuldades e asperezas cotidianas na singela arte do encontro. (Poderíamos...) Mas não desconsideremos o sofrimento, a frustração e a escassez. Uma reprovação naquele concurso, uma desilusão amorosa, uma família que se desmantelou, um projeto longo que tenha um recomeço improvável, uma retaliação no ambiente de trabalho. O que vale para o recém-nascido, também vale para nós: receber uma palmadinha e ouvir da vida, "bem-vindo ao mundo", pode ser doloroso e choroso.
Nascer dói!
O amadurecimento, a evolução e a humanização não estão condicionados ao choro, já somos adultos. Mas sim com o que fazemos com a nossa dor, causada pelo parto (para aqueles que assumem a hombridade em fazê-lo) nosso de cada dia.
O processo de humanização, evolução e amadurecimento do sujeito em nada tem a ver com sua idade desde o seu parto. Muito menos tem um dia exaltado para ser comemorado ou um ritual para designar sua passagem, embora mais importante. Para atingir essas condições plenas, o sujeito precisa fazer o parto de si mesmo.
Se fôssemos mais sensíveis e vulneráveis à visitação do outro em nós poderíamos transformar as dificuldades e asperezas cotidianas na singela arte do encontro. (Poderíamos...) Mas não desconsideremos o sofrimento, a frustração e a escassez. Uma reprovação naquele concurso, uma desilusão amorosa, uma família que se desmantelou, um projeto longo que tenha um recomeço improvável, uma retaliação no ambiente de trabalho. O que vale para o recém-nascido, também vale para nós: receber uma palmadinha e ouvir da vida, "bem-vindo ao mundo", pode ser doloroso e choroso.
Nascer dói!
O amadurecimento, a evolução e a humanização não estão condicionados ao choro, já somos adultos. Mas sim com o que fazemos com a nossa dor, causada pelo parto (para aqueles que assumem a hombridade em fazê-lo) nosso de cada dia.
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
Dignidade X Individualismo
Soldado Prisco TERCEIRO deputado estadual mais votado da Bahia com 107.941 votos!
Admitindo que sejam votos corporativistas e de familiares dos que compõem a corporação (racionalmente só consigo pensar nessa justificativa), essa votação significativa representa o seguinte pensamento do eleitor:
"Elejo quem defende meus "direitos" (na verdade, quem me concede privilégios) independente de princípios éticos e de uma moralidade que respeite a ordem da vida coletiva. Ou seja, a forma como será feito não me interessa questionar ou criticar, desde que eu não me sinta prejudicado e que se alcance o objetivo de me trazer benefícios, diretos ou indiretos".
A situação, que já não está boa, se torna ainda mais grave quando essa lógica se estende para outros eleitores.
São tempos difíceis para a cidadania!
Admitindo que sejam votos corporativistas e de familiares dos que compõem a corporação (racionalmente só consigo pensar nessa justificativa), essa votação significativa representa o seguinte pensamento do eleitor:
"Elejo quem defende meus "direitos" (na verdade, quem me concede privilégios) independente de princípios éticos e de uma moralidade que respeite a ordem da vida coletiva. Ou seja, a forma como será feito não me interessa questionar ou criticar, desde que eu não me sinta prejudicado e que se alcance o objetivo de me trazer benefícios, diretos ou indiretos".
A situação, que já não está boa, se torna ainda mais grave quando essa lógica se estende para outros eleitores.
São tempos difíceis para a cidadania!
Coisas de Salvador
- O cidadão vai no Cine Vivo e o seu celular (que é da vivo!) não pega sinal
- 7:30 pra 8 horas da manhã. Vou no Sucos 24h no rio vermelho pedir um lanche. Adentrando o recinto a atendente me diz que o estabelecimento (que é 24h) ainda não está aberto (?)
- Quando a TV Bahia diz que vai nas ruas ouvir a opinião do torcedor, na verdade ela quer dizer que vai entrevistar as pessoas que passam em frente ao shopping Iguatemi
- Flanelinha pede R$ 10,00 pra tomar conta do carro, pagamento antecipado. Eu digo que todo trabalhador só recebe depois do serviço prestado. Sem argumento, ele me sai com uma dessa: "Ô pai, ajude seu irmãozinho aqui! Deixe cinco conto aí que tá tudo certo, na moral!"...
Êta Bahia porreta!
- 7:30 pra 8 horas da manhã. Vou no Sucos 24h no rio vermelho pedir um lanche. Adentrando o recinto a atendente me diz que o estabelecimento (que é 24h) ainda não está aberto (?)
- Quando a TV Bahia diz que vai nas ruas ouvir a opinião do torcedor, na verdade ela quer dizer que vai entrevistar as pessoas que passam em frente ao shopping Iguatemi
- Flanelinha pede R$ 10,00 pra tomar conta do carro, pagamento antecipado. Eu digo que todo trabalhador só recebe depois do serviço prestado. Sem argumento, ele me sai com uma dessa: "Ô pai, ajude seu irmãozinho aqui! Deixe cinco conto aí que tá tudo certo, na moral!"...
Êta Bahia porreta!
sábado, 6 de setembro de 2014
Tirania da informação
Não há dúvidas que a informação trouxe muitos avanços, sobretudo para aqueles mais desfavorecidos que não tinham acesso a ela. Porém a rapidez como se alastra é muitas vezes um impasse ao pensamento crítico e questionador. A violência da informação e a segurança que a sociabilidade tecnológica oferece nos impõem uma categoria de “comportamento virtualmente domesticado”. Nos acostumamos com o conforto de nossas casas. Com o hábito de consumir apenas nas delicatessens, casas-lotéricas, pet-shops, bares e lan-houses do nosso confortável bairro. Nos acomodamos com algumas ideias estabelecidas. Assumimos a sofisticação como um modelo de vida em que um aparelho eletrônico é a extensão de nosso corpo em busca, também, de lazer, informação e distração. Para quê evitamos, cada vez mais, a prática do deslocamento urbano? E as pessoas?
Ao abdicar de enxergar a era demográfica a partir do território, deixa-se de vivenciar a territorialidade e as populações, suas comunidades, ou pequenos grupos e suas micro-políticas, que trazem a possibilidade de um “novo universo simbólico”. Este novo, que não está nas interações tecnológicas e nem nos aplicativos digitalizados que facilitam nossas vidas como verdadeiros atalhos, comunica algo: permite a troca, produz conhecimento, gera aprendizagem e constrói vínculos afetivos. Basta haver interação e comunicação.
Informação nós podemos encontrar em qualquer lugar, em qualquer meio e das mais variadas formas, inclusive com pessoas. Mas comunicação, essa vai estar, exclusivamente, na arte do encontro. Que sempre é singular e único. Mesmo que os atores se repitam, pois, sempre é inédito.
A verdadeira vida sofisticada está em saber superar a contradição de vivermos, ao mesmo tempo, governados pela informação e sabotados pela (falta de) comunicação.
Ao abdicar de enxergar a era demográfica a partir do território, deixa-se de vivenciar a territorialidade e as populações, suas comunidades, ou pequenos grupos e suas micro-políticas, que trazem a possibilidade de um “novo universo simbólico”. Este novo, que não está nas interações tecnológicas e nem nos aplicativos digitalizados que facilitam nossas vidas como verdadeiros atalhos, comunica algo: permite a troca, produz conhecimento, gera aprendizagem e constrói vínculos afetivos. Basta haver interação e comunicação.
Informação nós podemos encontrar em qualquer lugar, em qualquer meio e das mais variadas formas, inclusive com pessoas. Mas comunicação, essa vai estar, exclusivamente, na arte do encontro. Que sempre é singular e único. Mesmo que os atores se repitam, pois, sempre é inédito.
A verdadeira vida sofisticada está em saber superar a contradição de vivermos, ao mesmo tempo, governados pela informação e sabotados pela (falta de) comunicação.
domingo, 17 de agosto de 2014
Sabotagem
Ter a clareza de que as coisas que queremos para nós e são suficientes para nosso bem-estar, nem sempre é garantia de que serão planejadas e executadas. Mesmo quando a consideramos um bom complemento para o nosso crescimento (material e espiritual).
Há muitos mistérios nos labirintos da psiquê e estímulos externos que nos convidam a dispersar, evitando, contraditoriamente, atingir essa plenitude. Mero devaneio? Vontade de capturar tudo ao redor? Ou medo de encarar de forma despreparada algo que vá desenvolver uma preparação cuidadosa para se evitar a reincidência no despreparo num situação subsequente?
Para evoluir é preciso superar esse ciclo: sensação provocada pelo novo-divagação/medo- retrocessos e fantasias.
Sabotar a sabotagem, antecipando-a, é a chave!
Há muitos mistérios nos labirintos da psiquê e estímulos externos que nos convidam a dispersar, evitando, contraditoriamente, atingir essa plenitude. Mero devaneio? Vontade de capturar tudo ao redor? Ou medo de encarar de forma despreparada algo que vá desenvolver uma preparação cuidadosa para se evitar a reincidência no despreparo num situação subsequente?
Para evoluir é preciso superar esse ciclo: sensação provocada pelo novo-divagação/medo- retrocessos e fantasias.
Sabotar a sabotagem, antecipando-a, é a chave!
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