segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Digestão I

A estranheza recíproca é combatida com afinidades
Mas e quando nem assim
Aproximam-se os afins?
Amenidades.

domingo, 15 de setembro de 2013

Indigestão II


Sempre me inspiram.
Reverberam como guitarra de rock progressivo
Ecoam em mim como os tambores do ilê
Passeiam por mim como a nona sinfonia de Beethoven
Nem sempre bem compreendidas

Chegam mansas, saem mar-revolto
Enigmáticas
Dúvida nebulosa
Singelas
Dádiva cremosa
Complexas
Da-vida impetuosa
Por vezes indigestas
Aquelas poesias

sábado, 14 de setembro de 2013

Indigestão I

Nada de sábios
Tudo se amarrando
Nada de lábios
Tudo preto e branco
Meio atônito
Meio cinza
Meio cômico
Nada finda
Tudo platônico?

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Receita para Cuscuz

Aqui estou.
em casa
Sul da Bahia, minha raízes
Vegetação densa,  um verde vivo-vistoso
Felizes-felizes
Cheiro de café, bolo da hora
Bolacha de goma, avoador
Conversa fiada na cozinha
A melhor das minhas escolas
e assim fui preparar o cuscuz
Com sal e açúcar
flocos de milho e água (na dose certa)
Muita água sola o fubá do milho(!)
Cuscuz é assim
Mistura, pega a liga, flocos de milho áspero e molhado nas mãos
Elas, sensitivamente, indicam o ponto
Água ferve, flocos pegadinhos, soltos, leves
A distribuição no cuscuziero é sutil, delicada
Cuscuz pronto, quentinho, hora de apurar
Manteiga derretendo em suas entranhas
desvendando labiritntos amarelos construídos pelas mãos
Mãos enormes, mãos doce-salgadas, mãos suaves
Sem suavidade não se faz um bom cuscuz



domingo, 8 de setembro de 2013

O bêbado e a equilibrista

Embriagar-se de excessos
Tempos difíceis
Discursos moralistas, modelos demagógicos
Ressaca moral, ressaca afetiva
Ressaca política, ressaca amorosa

Carentes, rejeitados
Tímidos, atrapalhados
Ressaqueados, estafados.
Cansados.

Circo movimentado, palhaços tristes em alvoroço
Platéia ausente
O mágico enfeitiçou todos.
E a trapezista me chamou pra passear.

sábado, 7 de setembro de 2013

A Princesa do Subterrâneo

No reino subterrâneo onde não existe mentira, escombros ou dor, Ofélia sonhava com o céu azul, a brisa suave e o sol brilhante.

 Ela que teve tantos nomes, nomes antigos que só poderiam ser pronunciados pelo vento e pelas arvores que habitavam os bosques, não reconhecia em si sua nobre vocação.

Decodificando o livro das encruzilhadas deduzia intuitivamente o seu destino. Abrir o portal para a passagem daqueles que queriam e podiam ser como ela. Não, não. Esse caminho era apenas dela.

Vsa. Alteza deixou poucos rastros de sua existência...rastros estes visíveis somente para aqueles que sabem onde procurar.

(O Labirinto do Fauno é um grande filme)

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Ciclos

Setembro desembarcou, incógnito.
Avisando que logo mais será  primavera
Trazendo sua magia que antecede o verão.
E o ciclo das estações vai girando, girando previsivelmente.
Como roda-gigante.
Como a vida de muitos
Como a esperança de uns 
Como a apatia de outros.